quarta-feira, 4 de julho de 2012
Lucro Brasil
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Marketing de Vácuo
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O Marketing Político e a vitória de Dilma

Não há melhor momento para falar sobre marketing político do que no decorrer de uma eleição para presidente da república. Muito confundido com ações publicitárias enganosas para ludibriar o coitado do eleitor e fazer dele um “babaca”, que compra um produto estragado e ainda fica feliz, nas campanhas eleitorais o marketing político, como afirma Castillo, torna-se a “Geni” nacional capaz de fabricar e eleger candidatos enlatados e artificiais, pouco capazes de encher um copo americano com os seus projetos copiados uns dos outros para, depois das eleições, ser esquecida por mais quatro anos. Mas, o que é Marketing Político, senão uma enganação?
Marketing político nada mais é do que o marketing aplicado ao político e à política. Então, o que é o marketing, senão outra enganação?
Pela definição de Philip Kotler marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros. No marketing, os principais conceitos são os de necessidade, desejo, produto, comunicação, troca, valor e satisfação.
Necessidade é um estado de privação de alguma satisfação básica, não é criada pela sociedade e é inerente à condição humana, como, por exemplo: a fome. Desejo é uma carência por satisfação específica para atender às necessidades, como, por exemplo: comer uma pizza da Dr. Pizza para matar a fome. Produto são bens (carros, televisores, barbeadores, pizzas etc.), serviços (transporte, consultoria, corte de cabelo etc.) ou idéias (religião, ideologia etc.) oferecidos para satisfazer à necessidade e ao desejo. As empresas estabelecem comunicação (propaganda e publicidade) com os consumidores para a troca de seus produtos. A troca é a atividade social que permite os indivíduos e os grupos conseguirem os produtos que necessitam e desejam. Valor ocorre quanto os produtos trocados geram mais benefício que o custo para adquiri-los. A satisfação é um sentimento que ocorre quando o produto adquirido corresponde às expectativas dos indivíduos e grupos.
Entendeu? No marketing político o processo é o mesmo. As pessoas e os grupos vivem e ocorrem em sociedade e, por estarem em sociedade, precisam se organizar, estabelecer regras, leis e destinar seus esforços e recursos para a prosperidade da sociedade como um todo. Nas sociedades democráticas, a política e os políticos são produtos criados para suprir as necessidades e os desejos de organização, planejamento, coordenação e controle dos esforços dessas sociedades. Os partidos políticos se comunicam com os eleitores, ao longo da gestão e principalmente perto das eleições, para o convencimento daqueles acerca de suas ações e propostas. A troca ocorre sempre no processo eleitoral: os partidos políticos oferecem seus representantes e projetos em troca do voto da população. O valor ocorre quanto essa troca é positiva para os dois lados: políticos e população. A satisfação, por sua vez, ocorre quando a população aprova os políticos eleitos em função de suas expectativas iniciais.
Na troca política das próximas eleições presidenciais o partido político que sairá vitorioso será aquele que melhor aplicar os conceitos de marketing. Neste sentido, o PT corre como coelho enquanto o PSDB ensaia passos de caranguejo.
O que diferencia o candidato do PT do candidato do PSDB? Certamente não são as propostas políticas, pois, atualmente, elas são completamente pasteurizadas. O que diferencia os candidatos é a capacidade que o PT tem, por meio da máquina pública, de gerar valor e satisfação na troca eleitoral para a maioria da população.
Lula é popular e a candidata de Lula é a preferida na corrida eleitoral pelo fato da maioria dos eleitores brasileiros estarem satisfeitos com a gestão petista. Você pode até não concordar, mas é o que acontece. Neste processo mercadológico, algumas situações corroboram para que a população esteja satisfeita com o PT e eleja Dilma em outubro próximo:
Primeiro: a gestão de Lula partiu de uma expectativa muito baixa e até ruim. Antes de assumir, o receito da gestão PT foi traduzido no aumento da inflação, na queda da bolsa de valores, na subida do dólar e da taxa de juros. Com expectativas baixas, superá-las foi fácil. Só em manter a política econômica igual ao do antecessor deu alívio e satisfação aos eleitores. Resumindo: imaginava-se que seria um desastre e, por não ter sido desastre, ficamos satisfeito.
Segundo: o PT conseguiu atender aos desejos das pessoas, mais que às suas necessidades. Atender aos desejos da população se mostra mais interessante para um partido político do que atender as necessidades. Necessidades são básicas e não são criadas. Desejos são frutos da cultura de um povo e, portanto, perfeitamente fabricados. Por exemplo: necessidade de água no sertão é bem diferente do desejo da transposição do rio São Francisco. Por exemplo: necessidade de emprego é bem diferente do desejo da aceleração do crescimento, feito pelo PAC. Outro exemplo: necessidade de auto-afirmação ou da prática de esporte é bem diferente do desejo de ser sede da Copa do Mundo ou das Olimpíadas.
Terceiro: Lula e o PT ocupam brilhantemente os melhores espaços da mente das pessoas. Mensagens como “primeiro trabalhador a ser presidente”, “nunca antes na história desse país”, “credor do FMI”, “Lula o filho do Brasil”, “exportador de petróleo e pré-sal” e outras são importantíssimas para deixar aos concorrentes pouco ou nenhum espaço a ser ocupado.
Quarto: o PT e, principalmente, Lula se comunicam perfeitamente com a maioria da população. No marketing, comunicação é elementar. O PSDB pode até ter criado programas de transferência de renda e assistencialistas como o Bolsa Família, mas todos creditam a Lula a sua existência. O PSDB pode até ter criado o Plano Real, mas é o PT quem colhe o fruto ao comunicar o vigor da economia. A Petrobrás pode até ter sido reorganizada na gestão do PSDB, mas é com o PT e o pré-sal que ela se torna a companhia mais influente no Brasil. Outros programas são de puro mérito petista e igualmente bem comunicados, como o caso da Minha Casa Minha Vida.
Quinto: o PT usa bem sua marca e ídolos. Lula é o ídolo do PT que está sendo disputado até pelo PSDB. Se Serra pudesse, ele também posaria para uma foto ao lado de Lula. Aqui na Bahia, chegou-se ao ridículo de todos os principais candidatos utilizarem santinhos com a foto de Lula. Ninguém fez o mesmo como FHC, no Brasil, ou com ACM, aqui na Bahia. Com Lula ao lado é quase improvável um ataque frontal dos concorrentes. Como enfrentar Dilma se ela está com Lula? Como enfrentar Lula se ele é querido pela grande maioria da população. Um dia, disseram que Lula não transferiria votos. Hoje, vê-se que o PT conseguiu transferir os votos de Lula à Dilma.
O resultado das próximas eleições já é certo. Enquanto o PSDB agoniza e procura factóides para uma tentativa de segundo turno, o PT brilhantemente usa os conceitos do marketing político a seu favor.
domingo, 20 de setembro de 2009
Eficácia Escolar 3 - Envolvendo pais e comunidade

Fazer as coisas que necessitamos por meio de ferramentas ou técnicas complexas é, sem dúvida, um grande desafio. Entretanto, fazer com que essas mesmas coisas funcionem a partir de elementos simples é um desafio maior ainda. Solucionar com simplicidade é surpreendente.
Um dos maiores desafios das escolas brasileiras, sem dúvida, é a integração com a família e a comunidade. Quando falamos de escolas privadas, há certa terceirização do “problema educação”. Os pais matriculam seus filhos nas escolas caras para esquecerem que existe esse problema. O tempo disponível pelos pais é cada vez menor e, por isso, parece ser uma solução fácil a delegação da educação para as escolas. Quando pensamos em escolas públicas, há uma miscelânea de problemas que vão desde o distanciamento proposital da escola com os pais dos alunos à falta de estrutura para uma devida recepção e acolhimento.
A relação da escola e seu entorno também é complicada, seja no domínio público ou particular. As escolas são elementos de nossa sociedade, interferem e são interferidas pelo contexto geopolítico, mas não conseguem ou não sabem utilizar sua capilaridade como instrumento de desenvolvimento comunitário e convívio pacífico e harmonioso. Não freqüentemente, as escolas são vistas com inconveniência: provocadoras de barulho; obstruidoras do trânsito; ponto de marginalidade; poluidoras do ambiente.
Muitos estudos e programas governamentais e sociais apontam a importância de encurtar a distância das escolas com os pais e a sociedade. As escolas mais eficazes são aquelas que mantêm relações cooperativas com os pais e a sociedade. Sammons, Hillman e Mortimore identificaram que escolas que encorajam a participação dos pais no aprendizado dos filhos e uma boa relação escola-casa afetam significativamente o desempenho dos estudantes, quer seja no ensino fundamental ou no médio. Tizard e outros autores mostraram que o envolvimento dos parentes tem mais efeito no desenvolvimento da leitura que adicionar um professore extra. Outros estudos apontam que a participação dos pais é mais importante em contextos socioeconômicos desfavoráveis.
O mecanismo pelo qual o envolvimento dos pais e da comunidade influencia na eficácia escolar não é muito esclarecido. Há uma especulação plausível que quando os pais e a comunidade têm a mesma (ou similar) expectativa e objetivos em relação à educação dos seus filhos a combinação escola-pais-comunidade se torna um elemento poderoso para que o processo de aprendizagem ganhe força e proporcione melhores resultados.
Cotton, com base em um estudo de diversos autores, sugere as seguintes ações:
1) Comunicar repetidamente para os parentes a importância do envolvimento, independentemente do seu nível de escolaridade.
2) Oferecer aos parentes diversas maneiras de participação e envolvimento.
3) Encorajar fortemente a participação dos parentes em atividades estratégicas para o programa de ensino.
4) Apoiar os parentes com informações e técnicas de como ajudar na aprendizagem dos estudantes.
5) Estabelecer e manter uma freqüente comunicação escola-casa, principalmente no que compete ao progresso dos estudantes.
6) Envolver os membros da comunidade numa rede de relacionamentos relacionada às atividades acadêmicas e sociais da escola.
Um exemplo dessa última ação proposta por Cotton aconteceu neste último sábado, no qual fui envolvido, pela escola de minha filha, numa atividade extremamente simples e altamente eficaz. O convite da escola foi para “empinar pipa”. Os pais deveriam comprar carretéis e a escola entraria com as pipas. Essa foi uma atividade que teve influências em múltiplos campos, a saber: pedagógico; social; ambiental; mercadológico.
Pedagogicamente falando, a atividade proporcionou o desenvolvimento de diversas competências nos estudantes, professores e pais que estiveram envolvidos. Quantas competências são necessárias na construção de uma pipa? Precisa-se de leitura para pesquisar e montar o projeto da atividade. Utiliza-se da matemática para calcular os números e as medidas dos materiais a serem utilizados. Aplica-se a geometria para a definição das formas e diferenciação das pipas. A física é utilizada para explicar as forças necessárias para que a pipa voe e se mantenha estável no ar. Etc.
No campo social, a atividade, realizada no sábado, conseguiu atrair um número grande de pais que, com muita certeza, não iriam se ver ou se relacionar sozinhos. Foi uma oportunidade de conviver mais com os filhos e conhecer pessoas interessantes que, no dia-a-dia, seria impossível. Não bastassem as brincadeiras em torno da pouca habilidade em empinar pipa, os pais discutiam diversos assuntos que iam do futebol à política local.
Do ponto de vista ambiental, o dia escolhido coincidiu com o dia da praia limpa. Como a atividade foi realizada na praia de Lauro de Freitas, os pais foram orientados a levar sacos de lixo para preservar o ambiente. A mobilização também foi importante para formar consciência coletiva da importância de se preservar uma das poucas áreas públicas que a cidade oferece.
Mercadologicamente falando, o evento proporcionado pela escola foi um momento de exposição ao público e de obtenção de feedback para melhoria dos serviços oferecidos. Impossível foi para os transeuntes não ficar admirados com a quantidade de pipas no ar e não identificar a escola que estava proporcionando aquele espetáculo.
Muitas escolas e governos procuram soluções complexas para o envolvimento dos pais e da comunidade com as atividades acadêmicas dos estudantes. Por serem complexas, essas soluções se tornam inviáveis. A simplicidade da solução apresentada pela escola de minha filha, como falei no início, é surpreendente.
sábado, 29 de agosto de 2009
Estratégia Circense
Na Bahia, assim como no Brasil, existem muitos provérbios que servem de consolo quando não temos o que necessitamos ou desejamos, mas precisamos utilizar algo (bens ou serviços) em substituição. É assim quando dizemos: quem não tem cão caça com gato. Ou então: se não aguenta vara, peça cacetinho (esse é baiano). Ou ainda: se só tem tu, vai com tu mesmo (esse é paraibano).Nesse mês de espetáculos circenses, poderíamos inventar outro provérbio: quem não vai ao Cirque du Soleil se contenta com o Europeu.
O Cirque du Soleil, de origem canadense, como muita gente sabe, está em temporada aqui no Brasil com a peça Quidam. Vocês podem curtir um pouco no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=cUM5EWwxar8). Trata-se de um fabuloso espetáculo onde as possibilidades humanas são testadas ao limite. Coragem, destreza, equilíbrio, força, leveza, sincronismo, bom humo, beleza e trabalho em equipe são umas das muitas qualidades transmitidas pelos integrantes do Cirque. A moral da peça é a recuperação ou a resignificação do sentido da vida, perdido no nosso dia-a-dia.
Para além da peça, o Cirque também oferece um espetáculo de organização. Mercadologicamente falando, tudo é pensado para satisfazer e encantar o público presente. O Cirque é caro, mas vale cada centavo. As entradas variam entre pouco mais de 120 reais (estudante na fileira Z) a bem mais de 600 (na fileira A frontal). O estacionamento comum custa 20 reais. A pipoca (com manteiga) sai por 11 ou 13 reais. O refrigerante (gelado) sai por 6 reais a lata. Em compensação a peça é surpreendente, emocionante e irretocável. As duas horas do show passam num piscar de olhos. O ambiente é climatizado, extremamente limpo e muito confortável. O serviço oferecido, incluindo a segurança, é digno de país civilizado. O resultado disso tudo é que você não consegue ir para casa sem levar um DVD do Quidam, por uma pechincha de 49 reais.
Localizado um pouco antes do Cirque du Soleil, na mesma avenida, encontra-se o não tão abastardo e glorioso Circo Europeu, que se apresenta em Salvador no mesmo mês do seu concorrente canadense.
Apesar de europeu no nome, esse circo é bem brasileiro e, como todo circo brasileiro, carece de recursos, estrutura e muita imaginação. A principal atração do Circo Europeu é Chiquino, um palhaço soteropolitano de quinta categoria, que fica usurpando o publico e que ocupa a metade final do espetáculo de pouco mais de uma hora. Como não tem competência e tampouco criatividade, Chiquinho e seu insuportável ajudante ficam recrutando espectadores para que eles dancem, rebolem e se exponham ao ridículo. Tirando Chiquinho, os outros integrantes do Circo Europeu até que se esforçam para transmitir um mínimo de atração. O momento ápice é quando entram cinco motos no Globo da Morte, o que alivia a crítica quanto ao resto do espetáculo e à precária estrutura.
Para entrar no Circo Europeu não se paga muito. O ingresso mais caro é de 30 reais e criança abaixo de 4 anos não paga. A pipoca, o refrigerante e o algodão doce custam o mesmo: 3 reais. O estacionamento fica por 10 reais. Apesar desses preços, o Circo Europeu não vale o que cobra e, de certa forma, custa bem mais caro que o Cirque du Soleil. Ao final da peça, vendedores ainda tentam vender alguns produtos com a marca do Chiquinho, o que obviamente é um trabalho inglório.
O que tem de bom no Circo Europeu é a sua estratégia de comercialização, a qual não deve em nada ao seu colega canadense. Com todos os patrocinadores do mundo, o Cirque du Soleil não conseguiu ser tão inteligente quanto o dono do Circo Europeu, que, merecido, poderia usar o sobrenome Brown. Calma! Vou explicar.
Primeiro. Aparentemente um suicida, o circo brasileiro resolveu se apresentar justamente no mesmo período do circo canadense. Mas, inteligentemente, o Circo Europeu se apropriou de toda campanha publicitária para a formação do desejo de ir ao circo, promovida pelos patrocinadores do Cirque du Soleil.
Segundo. O Circo Europeu encontrou uma excelente localização, até mais visível do que a do Cirque du Soleil, permitindo uma fácil identificação de oportunidade pelos clientes e a quase nula campanha publicitária.
Terceiro. Brilhantemente, sabendo que não tem como competir pela qualidade, o Circo Europeu apostou no provérbio e inventou um próprio: quem não vai ao Cirque du Soleil se contenta com o Europeu. Com isso, garantiu como espectadora toda uma fatia da população que tinha desejo pelo circo, mas não tinha dinheiro suficiente para ir ao Quidam.
Resumo da ópera: mesmo com um produto ruim, desde que se tenha estratégia, há oportunidade para todos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Ele é feio, mas é gostoso.
Minha tentativa de passar “outro carnaval” fora de Salvador não deu certo. Ao menos, no Nordeste, só não choveu em Salvador. Todas as outras capitais ficaram sob fortes nuvens negras que despejavam rios de chuvas, que não eram confetes. Em João Pessoa não foi diferente, passamos por aqui um carnaval aguado, reservado às áreas fechadas, como clubes e casas. Não digo que não houve animação, mas de um tipo diferente.Amargando minha dor de cotovelo, tive tempo para observar um fenômeno nordestino, curioso, mercadológico e gastronômico ao qual dedico essa postagem. Trata-se do caranguejo.
Pode ser que alguém não saiba, mas caranguejo é um crustáceo bem feio, mas muito gostoso. O bicho tem cinco pares de patas bem cabeludas, das quais uma é bem grande e no formato de uma pinça. Vivem entocados em buracos e variam de tamanho, cor e nome: Caranguejo-azul, Boca-cava-terra, Caranguejo-aranha-gigante, Guaiamu, Caranguejo-uçá, Aratu, Caranguejo-amarelo, Chama-maré, Caranguejo-do-rio, Caranguejo-dos-coqueiros, Guruçá, Maria-farinha, Caranguejo-de-água-doce-de-malta, Caxangá, Caranguejo Real, Caranguejo Centolla e Uçá.
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