quinta-feira, 26 de março de 2015

As Aventuras de Max e Biriba

Finalmente, após alguns anos, chegaram em minha residência exemplares de meu livro infantil: As Aventuras de Max e Biriba. Escrevi esse livro quando minha filha nasceu, mas não procurei publicá-lo de imediato. Acredito que foi uma mistura de comodismo e medo de não ser aceito por nenhuma editora. Entretanto, o tempo foi passando e vendo que minha filha começava a ler, retornei com o projeto de publicar o livro. Há dois anos, procurei um amigo que acabara de criar uma editora e tive a sorte dele aceitar publicar meu livro. Agradeço enormemente o apoio que ele me deu. Desde o envio do primeiro manuscrito até a chegada de uma caixa com os exemplares em minha residência, passaram quase dois anos.

O livro trata da amizade que surge entre um cachorro doméstico, de uma cidade do interior, chamado Max, e um cachorro de rua, chamado Biriba. Quando Max visita a cidade grande e vai ao Parque da Cidade ele se encanta com tudo e acaba se perdendo de sua família. Para sua sorte, ele encontra Biriba. Mas, seu novo parceiro é cheio de complicações e essa nova amizade traz inúmeras aventuras. O desafio dos dois é conseguir encontrar a família de Max, escapando dos problemas que os dois vão arranjando pelo caminho. Max e Biriba fazem muita confusão e alguns inimigos – entre eles um cão chamado Rolifield e uma gata chamada Natasha. Além disso, os dois colecionam muitos amigos, entre eles: o sagui, Teobaldo, e Amaral, o urubu. No final, tudo acaba bem para todos, mas Max já não é mais o cachorrinho inocente do início de sua jornada. No fim, Max tem a aventura em seu sangue e a vontade de fazer o bem. São 54 páginas de aventura e diversão.

Quem quiser conhecer essa estória de aventura e diversão pode enviar uma mensagem para meu endereço eletrônico: acatunda@yahoo.com.br . Terei o enorme prazer de enviar um exemplar com uma dedicatória para você, seu filho(a), sobrinho(a), neto(a), amigo(a) ou qualquer outra pessoa que você queira presentear. O preço do livro é de R$ 28 (vinte e oito reais), já com o custo do envio. O pagamento pode ser feito via depósito bancário no Banco do Brasil, conta 43511-2, agência 4059-2, em meu nome (Arturo Cavalcanti Catunda). Por favor, envie o comprovante do depósito juntamente com a mensagem. Quem preferir adquirir uma grande quantidade, para uma escola por exemplo, pode entrar em contato direto com a editora do livro: Cultura Editorial, pelo telefone 71-3013-6592 ou por mensagem eletrônica: culturaeditorial@yahoo.com.br .


Espero que vocês gostem desse livro, pois o próximo já está no forno. Tratar-se-á da estória de um gato e sua paixão pela lua, uma continuidade de As Aventuras de Max e Biriba.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Brasil, um bom lugar para duplipensar



Sabe o que mais curto em notícias/matérias publicadas na internet ou intranet das empresas? Os comentários dos leitores. É muito interessante como as pessoas interpretam, criticam e expõem suas opiniões aos fatos ou factoides apresentados. Mais interessante ainda é a reação de outros leitores acerca das opiniões de terceiros. Nisto há os moderados e os radicais – a favor e contrários. Quem opina a favor, logo recebe uma bordoada dos contrários. O mesmo ocorre com os contrários, que são escrachados pelos favoráveis. Há quem muda de opinião ao longo das discussões. E, também há quem apela para a baixaria. Divirto-me muito com os comentários mais radicais, pois, não havendo unanimidade, qual o sentido de tamanha agressividade? Além do humor ao ler os comentários das notícias/matérias, pode-se aprender alguma coisa aqui e acolá.


Foi lendo os comentários de uma matéria na intranet que, recentemente, deparei-me com um conceito novo para mim: duplipensar. A autora do comentário não explicou o que era o termo, apenas o utilizou em sua argumentação. Foi o comentário desse primeiro comentário que explicou o significado e a origem do conceito “duplipensar”. Duplipensar é um conceito inventado por George Orwell em seu livro 1984. 1984 é uma ficção publicada em 1949 sobre o futuro da humanidade em um regime totalitário e repressivo, possuindo um dirigente objeto de culto, o Big Brother. Nesse contexto, o termo duplipensar seria a capacidade de conviver com duas proposições contraditórias, aceitando ambas como verdadeiras.


Fui ao cinema nesse fim de semana e pude entender melhor o que seria na prática o duplipensar. Normalmente, como ocorre em todo início de sessão, as pessoas vão chegando, sentando, fazendo comentários iniciais, abrindo e fechando bolsas, abrindo latas de refrigerantes, finalizando chamadas de celular etc. Ou seja, todo início de sessão de cinema há barulho até que as coisas fiquem calmas e o silêncio necessário reine durante o filme. Pois bem, sentado na fileira detrás havia um senhor que não aguentou esperar que todos ficassem quietos e pediu silêncio com uma impaciência anormal. Notando o impaciente vizinho, imaginei que ele prezaria pelo silêncio também. Mas, não. Ele pediu silêncio e quando a sala estava devidamente quieta ele era um dos que produzia sons da mastigação de pipocas. E haja pipoca! A pipoca desse homem demorou meio filme para terminar. Ao fim, ele abriu uma lata de refrigerante, ressoando o som por todo ambiente, que estava em silêncio como ele havia pedido. Depois do filme, voltando para casa, deparei-me com outro exemplo muito comum de duplipensar. Era um furgão estacionado na calçada com um cartaz na carroceria: Como estou dirigindo? A ilusão de que essa pergunta basta é fantástica.


Nas palavras do próprio Orwell, duplipensar significa:

  • Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas;
  • Usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da Democracia e que o Partido (opressor) era o guardião da Democracia;
  • Esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e
  • Acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar.

O Brasil é um país onde o povo é acostumado ao duplipensar. Duplipensam no Brasil com uma maestria que nem Orwell seria capaz de imaginar. O melhor (ou pior) é que no Brasil não se precisa de um Big Brother, o duplipensar ocorre com naturalidade, ou como o conceito prega, ocorre ao nível do inconsciente.


Em 2013 foram às ruas aos milhares protestando contra tudo e contra todos para, no ano seguinte, elegerem todos os velhos políticos novamente. Aqueles que não foram eleitos, ganharam cargos públicos dos que foram eleitos, pois os partidos e as coligações são os mesmos. Qual a lógica das revoltas recentes senão uma expressão de um duplipensamento coletivo?


Por décadas acusaram políticos que praticavam a compra de votos. Isso ainda existe e muito. Mas, o que vemos hoje é uma compra de votos em massa: a industrialização do voto de cabresto. Não há nada pior para o povo que políticas assistencialistas – como os de bolsas-vale-tudo – e uma educação de péssima qualidade. A segunda retira do povo sua emancipação, enquanto a primeira assegura aos mesmos o cabresto sofisticado do pós-modernismo que impede o pleno exercício da democracia. Vendem-se o medo da fome, do desemprego, da falta de moradia e a moeda em troca é a ignorância coletiva. Quem critica esse sistema fez, faz e fará o mesmo. Quem o faz agora é quem criticou outrora.


Descobre-se esquemas bilionários de corrupção e até se coloca alguns ladrões na cadeia, mas também se beneficia delatores com prêmios milionários. Faz sentido? No duplipensamento, sim. Afirma-se em lei que não se pode contratar empresa corruptora, mas, suaviza-se atitudes morais para não prejudicar a economia, com a fantasiosa argumentação de que sem essas empresas haveria recessão. Recessão já há! Quanto aos ladrões, os poucos que vão para cadeia entram com punhos fechados, em alusão a uma luta ideológica e de classes. Enquanto isso, consome-se como verdadeiro o velho ditado que os fins justificam os meios. Só que os fins são privados e os meios são públicos e, pasmem, aceita-se isso tranquilamente.


Juízes ignoram leis das quais deveriam ser os principais defensores. Ao serem questionados pela sociedade, defendem-se corporativamente e dão a impressão de que são intocáveis (deuses) e impõem aos seus acusadores (reais vítimas) severas penas financeiras e morais. No duplipensamento do judiciário, o slogan é: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. E, por esse slogan, o judiciário vai autopromovendo benefícios, em um explícito exercício de acumulação de riquezas e benesses a despeito da realidade dos concidadãos, diferenciando-se cada vez mais desses, ao tempo em que tenta demonstrar ser feito das mais puras igualdade, imparcialidade e moralidade.


Como o duplipensamento é ter consciência da veracidade de uma mentira ou o inverso disso, sendo isso tudo cuidadosamente arquitetado, é comum vê-lo fazer parte do discurso de prefeitos, governadores, secretários, ministros e empresários ao negarem o óbvio e declararem o contrário da realidade. É assim ao afirmar que não há crise energética, mesmo com inúmeros apagões e com sucessivos anos sem crescimento econômico. É assim ao afirmar a previsão de crescimento do PIB do país a despeito de todas outras visões que afirmam o não crescimento. É assim ao declarar que não haverá problemas no fornecimento de água, mesmo passando anos e décadas sem o planejamento e o investimento corretos que o setor merece. É assim ao afirmar que a solução da seca no Nordeste é a transposição, mesmo sabendo que isso de nada irá adiantar. É assim ao ser denunciado por uma reportagem investigativa qualquer e apontar a culpa nas gestões anteriores, mesmo que a gestão anterior tenha sido dele mesmo e, com peroba na cara, afirmar que o governo está fazendo todos os esforços para reparar a situação denunciada. É assim o tempo todo no duplipensamento.


Das classes sociais mais abastadas às mais humildes, têm-se exemplos de duplipensamento no Brasil. É algo generalizado, sem cor ou credo. O guarda que aplica multa se um transeunte jogar um papel ao chão no centro do Rio é o mesmo que não percebe – ou não quer perceber – a montanha de lixo que se torna a calçada ao fim do expediente. A professora que reclama da educação pública e que defende o aumento dos salários dos professores como forma de melhoria é a mesma que coloca o filho na escola particular e, com o hipotético aumento, colocaria em outra escola ainda mais cara. Os defensores das cotas raciais, como política de afirmação, e que denunciam o racismo velado são os mesmo que estão conseguindo fazer com que classificações por fenótipos definam o destino de milhares de brasileiros ao tentar ingressar em uma instituição de ensino ou conseguir um emprego, implementando um sistema por natureza racista.


Tenho que agradecer à autora do comentário que li e que me apresentou esse termo “duplipensar”. Nunca antes havia percebido um termo que traduzisse tão bem o que ocorre com o (ou no) Brasil. Talvez já existam cursos para ensinar técnicas para duplipensar, tamanha é a naturalidade de nossos principais personagens políticos ou não com as negações positivadas e as afirmações negativadas. E, mesmo que pegos em contradição, eles ainda têm a saída maliciosa do “não sabia”. Como ouvi em alguma rádio, o Brasil é o único lugar onde o ladrão é pego com o dinheiro na cueca e ainda tem a coragem de dizer: roubei, mas não fui eu!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Pau de Selfie

Vez em quando o mundo é revolucionado e sacudido por invenções incríveis. Foi assim com o domínio do fogo, com a descoberta da roda, com o uso da força do vento para mover embarcações, com o concreto nas construções, com a lâmpada, com o computador, com a internet e com a raquete de matar muriçoca – eu acho que foi a invenção do século. Nesse início de ano, o mundo novamente está sendo sacudido por outra invenção que não sabemos mais como vivíamos sem ela: o Pau de Selfie!

Isso mesmo: Pau de Selfie! Esse nome composto é de um dispositivo utilizado para prolongar o alcance dos braços no ato vaidoso de se fotografar. Descobri a existência desse inusitado instrumento no teatro. Imagine o meu susto ao notar os movimentos de uma moça que sentava na poltrona à frente. Ela abriu sua minúscula bolsa e começou a vasculhar à procura de algo. Eu imaginei que fosse um espelho ou um batom. As mulheres costumam manter a beleza, não importa onde e quando, não é? Mas, não era nada disso. Da bolsa surgiu um pequeno bastão que, com o movimento habilidoso da mão, foi crescendo, crescendo, crescendo até alcançar uma distância enorme. Na ponta do bastão, já crescido, um celular que exibia a imagem de quem o segurava (a moça), sua amiga e nós todos da fileira detrás. Inevitável foi tentar segurar o espanto e a rizada após constatar tamanha engenhosidade para se fotografar. Foto feita, a moça encolheu o bastão ao tamanho original, guardou-o na bolsinha e seguiu a vida naturalmente.

Depois desse episódio comecei a ver Pau de Selfie em todos os lugares: na praia, na balada, no restaurante, no hospital, nas trilhas ecológicas, na piscina, no avião e em qualquer lugar onde haja um vaidoso ou vaidosa.

O nome Pau de Selfie traduz perfeitamente a originalidade do instrumento. Selfie é um neologismo de língua inglesa que significa tirar um retrato de si, ou um autorretrato. Pau, significa pau mesmo, vara, bastão, cacete ou qualquer coisa comprida. Pau de Selfie, portanto, é uma vara metálica retrátil que segura o seu celular para que você possa sair melhor na foto. Dizem que o Pau de Selfie é uma imitação barata do bastão que segura uma câmera do Go Pro, câmera digital e amplamente vendida para praticantes de esportes e aventureiros. Outros especialistas no assunto afirmam categoricamente que o Pau de Selfie deriva do bastão de aula do professor. Dizem que fabricantes de bastão para aulas, após o surgimento do apontador laser, estavam perdendo mercado e resolveram adaptar seu produto para ele não ficar encalhado no estoque. Porém, a explicação que eu acho mais plausível é a de que o Pau de Selfie é um instrumento inventado para ajudar no combate ao complexo de castração. Sendo um objeto de formato fálico, o Pau de Selfie serviria para acalmar a inveja feminina do pênis, assim como o complexo de alguns homens com o seu instrumento de porte menos expressivo.

Acho que essa última explicação tem evidências comprovadas, pois o sorriso que a moça do teatro fez ao exibir seu Pau de Selfie não teve igual. Certamente, ao exibir seu objeto fálico, ela estava se vingando por ter nascido desprovida de um pênis! Também vejo problemas de origem narcísica ao observar comportamento de quem usa o Pau de Selfie. Por exemplo, já há estudos científicos que comprovam a correlação positiva e significativa entre o tamanho do Pau de Selfie e a origem étnica. Eu pude testemunhar isso ao ver em um show um afrodescendente retirando seu Pau de Selfie e se exibindo com o alcance do instrumento. Não por coincidência, todos os outros timidamente recolheram seus paus. Também os educadores já se preocupam com o aumento do bullying que os garotos começam a sofrer ao exibir seus paus de selfie na escola. Esses mesmos educadores recomendam a proibição do uso do instrumento durante as aulas.

O uso desse instrumento ainda é algo a ser etiquetado, é necessária uma regra de boa convivência social. Quando, como e onde usar seu Pau de Selfie? Eis uma boa pergunta! Nesse fim de semana pude assistir ao ensaio da Salgueiro e ver a apresentação de sua bateria. Como Rainha de Bateria, apareceu a belíssima Viviane Araújo. Linda, simpática e muita animada, Viviane começou a mexer seu tamborim, sambar e acenar ao público. Imediatamente começaram a crescer paus de selfie por todos os lados. Em instantes, a Rainha estava arrodeada de paus, pois além de tirar um autorretrato, o avantajado instrumento também tira retrato dos outros. Cena constrangedora!

Fico pensando como será no carnaval. Todo mundo com seu Pau de Selfie na mão. Alguns até tomando emprestado o Pau de Selfie do amigo, do parente e até de desconhecidos. Blocos surgirão com o nome “Segura no Pau de Selfie”. Mas, o que fazer se algo der errado? O que fazer se, na hora H, o Pau de Selfie emperrar e não subir? O que fazer se forem trocados os paus? O que fazer se roubarem o seu Pau de Selfie? Como você fará o boletim de ocorrência?

- Qual o problema cidadão? Pergunta o policial.
- É que, na confusão do bloco, tacaram a mão no meu pau.
- Mas, isso é normal por aqui! Principalmente nessa época do ano. Ora, você é um sortudo!!!
- O que eu quero dizer oficial é que roubaram ele.
- Roubaram seu pau?! Pergunta abismado o policial.

Até que o cidadão explique que urubu não é meu loro, muita coisa vai rolar. Sem dúvida, é necessária uma regra de uso, uma etiqueta social para utilizar o Pau de Selfie com segurança e fineza.

Diante disso tudo, sempre fico na dúvida se compro ou não o novo brinquedinho. Há quem fique esperando sair uma versão mais sofisticada do equipamento. Talvez as próximas versões do Pau de Selfie já venham com prolongamento automático: bastará apertar um botão e o pau crescerá automaticamente. Outras poderão vir com localização GPS, alarme, iluminação e até vibração em três velocidades para qualquer emergência.


Não sei como será o Pau de Selfie no futuro, mas, sei que assim como a lâmpada, o computador e a raquete de matar muriçoca, não saberemos viver sem carregar o Pau de Selfie conosco.

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